sábado, 20 de agosto de 2016

RECEITA DE SUMO ANTIDEPRESSIVO

Uma receita que aparece em muitas publicações naturistas, com ingredientes de uso corrente, citados também em livros de medicamentos naturais, como este LINK.

NOTA: É fundamental usar vegetais biológicos/orgânicos.
Vegetais do agrotóxico (os que se vendem nos mercados e supermercados normais) não garantem os mesmos efeitos benéficos ou, se os tiverem, são pelo menos em parte anulados pelos efeitos negativos dos pesticidas contidos.

Eu próprio e pessoas amigas tomámo-lo diariamente durante cerca de 2 anos, comprovando efeitos claros na disposição psicológica (calmante e anti-depressivo) e na regularização da digestão.

A preparação é simples, e se não conseguir todos os ingredientes não é grave, há versões da receita apenas com os três primeiros ingredientes, mas recomendo vivamente usar todos. 

(Um deles, raíz do açafrão - não é fácil obter, pelo menos em Portugal. Encontrei ocasionalmente numa loja da cadeia dietética Celeiro, Aven. da República, Lisboa)
Raíz de açafrão (Turmeric, em Inglês)
RECEITA:
(dose para 1 pessoa em cada toma)

Lave bem, descasque e parta em bocados: 1 beterraba, 1 cenoura, 1 maçã, 1 limão, 1 cabeça de gengibre e 1 cabeça de raíz de açafrão (todos de tamanho pequeno).

Faz-se um sumo/suco no liquidificador, adiciona-se um pouco de água - sugiro água mineral com Ph entre 7 e 10 em vez de água da torneira que, hoje em dia, toda ela tem cloro que é nocivo à saúde e que não desaparece mesmo filtrado.
Pode juntar uma colher de mel puro de preferência biológico / orgânico 
(as abelhas são já por si um filtro natural. Inclusive vêm desaparecendo em massa em consequência da agricultura industrial tóxica. O mel é um produto excelente para ajudar a combater várias doenças indicadas abaixo)

Para triturar os vegetais, caso não possua um liquidificador, use a "varinha mágica". Nesse caso, parta previamente os vegetais em pedaços ainda mais pequenos.  

O sumo/suco deve ser bebido logo após cada preparação todos os dias, em jejum, 1 hora antes de comer qualquer outra coisa.

Se quiser reforçar, beba também a meio da tarde, durante o tempo necessário, até a pessoa se curar. 

Pode repetir o tratamento ao longo do ano sempre que quiser.

É considerado na literatura naturista da Internet indicado para:
- Doenças cancerígenas
- Anti-inflamatório;
- Problemas no fígado, rins e pâncreas.
- Úlceras
- Proteção dos pulmões, coração e tensão arterial
- Reforço do sistema imunitário
- Os olhos, eliminando a vermelhidão, a fadiga e a secura
- Dores musculares ou provocadas pelo exercício físico
- Desintoxicar, eliminando a obstipação intestinal, tornando a pele mais saudável e combatendo o acne
- Combater o mau hálito, a má digestão e as infecções na garganta
- Combater a dor e a febre. Assim como não tendo efeitos secundários, de boa assimilação e fortalecendo o sistema imunitário.

Nota: Apesar de o ter tomado cerca de dois anos seguidos, os únicos efeitos que garanto (porque fiz a experiência) são os da boa disposição e regularização intestinal.
Já não serve, porém,  para redução de peso ou diminuição do apetite. É neutro, nesse aspeto.
No entanto, como na altura em que o tomava eu não dava a devida importância à questão dos pesticidas nos vegetais (hoje já os considero um factor fundamental) e não tinha garantia da origem de todos os vegetais comprados, tal condiciona a avaliação da minha experiência para efeito doutras doenças ou items.
Para mais informação sobre as consequências do agrotóxico:
http://ruitojal.blogspot.com.br/2013/08/ogms-e-monsanto-estudo-frances-mostra-o.html
http://ruitojal.blogspot.com.br/2013/08/a-verdade-da-industria-da-alimentacao.html

segunda-feira, 27 de junho de 2016

ORIGEM DAS FESTAS DOS SANTOS POPULARES

Ir para: 1 - SAÚDE E PREVENÇÃO



As festas juninas têm uma origem pagã - a celebração do solstício de Verão - que vem dos primórdios da humanidade.

Nos países do hemisfério norte isso tem toda a lógica - no dia 23 de junho o Sol começa a atingir o seu ponto mais alto do ano, algo especial para povos que gozam de poucos dias de sol.

Era visto pelos povos primitivos também como a celebração da fertilidade da terra ou ocasião para o início dum namoro.

A igreja católica, constatando a força dessas festas junto do povo, procurou com sucesso  - nomeadamente em Portugal - ligá-las aos seus mais importantes santos, o que caiu bem em populações predominantemente católicas.

Em Portugal e Brasil (neste, sobretudo no Nordeste e em Minas) as festas assumem características muito peculiares e têm enorme impacto popular. O que é paradoxal, dado o Brasil ser do hemisfério sul, e Portugal ser do sul da Europa onde o solstício não tem tão grande importância. * (1)

Possivelmente a dimensão que se dá às festas juninas nos dois países tem a ver com essa aculturação religiosa que terá aumentado o seu impacto.

MAS QUEM SÃO ESTES SANTOS?

Santo António - de seu verdadeiro nome Fernando de Bulhões - nasce a 13 de Junho de 1196 em Lisboa e morre em 1231 na cidade de Pádua, Itália.

São João, o mais popular dos três, segundo as versões comuns é S. João Batista, o apóstolo que, de acordo  com a Bíblia, batizou Jesus. Toma-se o 24 de Junho como data do seu nascimento.

Mas os habitantes do Porto - onde a grande festa é o dia de S. João - acreditam que celebram um frade eremita de nome João que nasceu no Porto e morreu em Tuy, na fronteira Galiza-Portugal, séc. IX. Três séculos mais tarde D. Mafalda trasladou alguns dos seus restos mortais para o Porto pelos muitos fiéis que acreditavam ter este santo poderes curativos.

S. Pedro, o terceiro da tríada dos santos populares de Junho, é o próprio apóstolo Pedro, a quem Jesus deu nome ao fazê-lo a pedra angular da construção da sua igreja, e celebra-se a 29 de Junho.

AS FESTAS JUNINAS EM PORTUGAL

Em Portugal, de norte a sul e arquipélagos insulares, não há praticamente uma localidade onde não sejam celebradas. Mas apenas um dos santos é escolhido para a festa em cada lugar, os outros são respeitados mas não assumidos como padroeiros do município.


Uma música típica dos santos populares em Portugal AQUI.


A grande  festa de Lisboa é naturalmente o Santo António - a 13 de Junho fecha tudo e é feriado municipal.

Já no Porto e em Braga, 2ª e 3ª cidades portuguesas, o feriado e a festa são do S. João, a 24.

Em Sintra, segundo município mais populoso (arredores de Lisboa) o feriado é a 29 e celebra-se o S. Pedro.

Nas vilas e maiores aldeias (núcleos com menos de 10.000 habitantes) há quase sempre uma banda, que é também escola de música, e concursos de "marchas populares" fantasiadas e seguindo diferentes temáticas, representando colectivos culturais em que as crianças e jovens - e pessoas de todas as idades - participam com particular entusiasmo.

EM LISBOA


A música mais típica das festas dos santos populares é a marchinha. Outra característica da festa junina em Portugal é a população vir toda para as ruas festejar, E, sobretudo em Lisboa, os vizinhos dos bairros típicos e populares têm liberdade para montar bancas de comes e bebes (o que durante o ano só é possível com uma licença especial, camarária), num ambiente de grande alegria, em que as pessoas se misturam nas ruelas estreitas e antigas do centro, nos bairros da Mouraria, Alfama, Bica, Graça, Xabrégas, etc.

O Santo António em Lisboa: na rua, no concurso de marchas e nos casamentos em conjunto.


As ruas são decoradas com bandeirinhas alpendradas, balões de papel, arranjos florais, e vendem-se milhares de vasinhos de manjerico, uma planta cheirosa onde se coloca um verso brejeiro em papel que os rapazes ofereciam às moças, mas hoje todos oferecem a todos, indistintamente - amigos, parentes, etc.

As principais comidas são: a sopa de caldo-verde (couve portuguesa às tirinhas cozida apenas com batata passada, sal, azeite e umas rodelas de chouriço para gosto); as sardinhas - prato obrigatório, muito bom devido à época de captura, ao mar frio e ao método de assadura na brasa - acompanhadas de salada; as bifanas (bifinho de porco, no pão ou no prato); o chouriço (espécie de linguiça de carne de porco curada em fumo ao longo de meses) assado mesmo na rua em chama de álcool e em vasinhos de barro; batatinhas pequenas cozidas com casca e, como sobremesas, arroz doce, leite-creme brulé, salada de fruta... (e muitos etc. - a culinária portuguesa é das mais diversificadas do mundo). Tudo acompanhado de vinho, sangria ou cerveja, e música popular portuguesa.

Em todo o  Stº António de Lisboa é tradição, ainda, algumas dezenas de casais de condição modesta casarem-se em conjunto, com todos os eventos  patrocinados pela Câmara Municipal da capital.

NO PORTO

Já no Porto a celebração de arromba é o S, João , e a cidade vem toda para a rua.

Martelinhos nas ruas do Porto e uma cascata típica.
Os balões em papel colorido, acesos e lançados no ar - muito populares no Brasil - são uma tradição desta cidade, assim como as cascatas, uma espécie de presépio junino, de que inclusive se faz um grande concurso. Outra tradição é bater amigavelmente com um alho porro (modernamente, passaram a ser martelinhos de plástico) em todas as pessoas que passam. O grande final é sempre na Ribeira, zona junto ao rio Douro, onde a multidão se aglomera nas duas margens para assistir ao fogo de artifício lançado da ponte D. Luís (toda em ferro e projectada pelo engenheiro G. Eiffel), sendo a arte da pirotecnia uma forte tradição, havendo ainda bastantes fábricas pirotécnicas na região norte.

AS FESTAS JUNINAS NO BRASIL

Embora a festa mais popular do Brasil seja provavelmente o Carnaval, o S. João em certas regiões excede-o em impacto popular.

"O maior S. João do mundo", em Campina Grande - Paraíba - NE


A grande força do S. João está no Nordeste, onde ganhou particularidades próprias, com o ritmo contagiante do forró *(2), não apenas tocado e cantado, mas também dançado em concursos de frenéticas quadrilhas juninas que seguem sempre o roteiro tradicional: a história dum casamento, onde entra padre, sacristão, casal de noivos, pais dos noivos, rei e raínha do milho, juíz e escrivão, padrinhos, delegado, casal de cangaceiros, convidados (muitas vezes representando "matutos") e um marcador que dirige os passos.

O típico forró, pelo grande Luiz Gonzaga AQUI.

Quase todo o povo festeja, seja com uma fogueira em frente à casa, seja indo para as ruas assistir aos concursos de quadrilhas, dançar, beber e comer, seja vestindo as crianças com trajes muito coloridos.

No nordeste come-se sobretudo milho assado ou cozido, cuzcuz, canjica e pamonha (todos feitos do milho), pé-de-moleque e maçã do amor, em Minas entra ainda o arroz doce, o pinhão e as castanhas de cajú.

O comércio também colabora, além de decorar as lojas, os empregados pôem sempre algum adereço de S. João, como o tradicional chapéu em palha e o lenço.

Uma curiosidade brasileira é que o dia dos namorados - ao contrário do resto do mundo, que é a 14 de fevereiro - no Brasil todo foi associado ao Santo António e comemora-se a 12 de junho!

As festas, na verdade, são celebradas em todo o Brasil, desde S. Catarina (sul) a Roraima (extremo Norte), passando pelo Rio e S. Paulo, onde os núcleos de emigração portuguesa foram sempre bastante numerosos, Minas Gerais, ou mesmo em locais improváveis como o Pantanal de Mato Grosso, com características próprias e muito fortes também.

Verifique:

PANTANAL

S. CATARINA

  MINAS GERAIS








RORAIMA



* 1 - AS FESTAS JUNINAS VIERAM MESMO DE PORTUGAL?

Como, por diversos motivos que não vou analisar, há uma tendência em certos setores para diluir  a influência portuguesa na cultura e na História brasileiras, invocando outros países ou simplesmente omitindo as origens, a pergunta tem cabimento. Há mesmo um blogue numa prefeitura brasileira que encontra influências chinesas nestas festas juninas!

Mas logo à vista desarmada se observam as semelhanças das festas nos dois países - nas datas, na tríade de santos, na música (apesar das diferenças devido à evolução posterior divergente), nos enfeites, nos concursos de marchas ou quadrilhas, nos casamentos colectivos, mas sobretudo no ímpeto e força popular destas festas que se sobrepõe claramente ao eventual carácter religioso.

De todo o modo, fiz buscas no Google sobre o carácter destas festas em culturas de países mais próximos, como Itália, Espanha e França. Em nenhum dos países existe um movimento semelhante, quando muito há celebrações com fogueiras, ou então religiosas, mas de forma muito localizada, em determinado município (em Itália, sobretudo Florença, e na Espanha, sobretudo Valência). Portanto em nenhum são uma festa maciça do povo e de âmbito nacional, como acontece nas festas de Portugal e do Brasil.

Verifique por si mesmo pesquisando no Google de preferência em italiano "festivitá principale, Italia" e em espanhol "fiestas más importantes, España".

Em França também poderá verificar que em junho apenas se celebra a nível nacional, e em dias que não têm nada a ver,  a festa dos pais e a festa da música, esta última de origem recente.


* 2 - SOBRE O FORRÓ

O Forró, nome genérico por que são conhecidos vários estilos musicais do Nordeste brasileiro como o baião, o xote, o xaxado e o coco,  merece particular menção por se tratar dum estilo musicalmente evoluído e com executantes de grande qualidade, de que se destaca Luíz Gonzaga, uma verdadeira força da natureza e considerado o grande renovador e divulgador do estilo.

Tal como o nome Forró vem provavelmente do Português (não do Inglês, nem do Francês  ou do Banto africano, como alguns afirmam - a palavra "forrobodó" de que deriva, é de uso corrente no norte de Portugal, e significa "festançabarulho".

Também é quase impossível que viesse duma das línguas da família Tupi-Guarani, já que nem têm palavras começadas pela letra F, e nada parecido com Bodó também.

Também é natural que as primitivas influências deste género musical sejam portuguesas (não vem nas enciclopédias, mas em Portugal há estilos folclóricos semelhantes, como o Vira (Minho, norte), o Fandango (Ribatejo, centro) e o Corridinho (Algarve, sul), músicas de ritmo também muito acelerado e sincopado, sendo que o triângulo, o acordeão e a viola usados pelas bandas de forró,  são instrumentos também muito usuais no folclore português.

Como é óbvio, dada o forte sentido musical dos outros dois elementos etno-demográficos que, junto com o português,  constituem a base fundadora da sociedade brasileira - o índío (dominante) e o africano - o forró moderno dos anos 40 foi provavelmente beber na rádio, no disco e noutros meios influências alheias como a polka, a música francesa, etc. que o enriqueceram.

Já em relação à dança das quadrilhas, igualmente designada forró no nordeste brasileiro, é habitual considerar-se de influência francesa pelo facto de utilizarem alguns comandos num Francês adulterado, como "anarriê", "anavantu", "balancê", "returnê", bem como pelos passos, que de facto diferem bastante das danças portuguesas.

Ora, como nunca houve colonização francesa do Brasil - no nordeste apenas se regista uma fugaz presença, meramente para trocas, de corsários e mercadores franceses no período antes da colonização propriamente dita, ou seja, antes de os portugueses se estabelecerem em todo o território - seria um tanto mirabolante que existisse essa influência por via direta.

Parece mais lógico que palavras e passos de dança tenham sido trazidos pela corte portuguesa quando se estabeleceu no Rio de Janeiro no início do século XIX e fossem sendo levados por frequentadores das festas da Corte - que eram bastante abertas, ao que consta - para outras regiões do Brasil. O que não obsta que também sejam influenciadas pelo folclore português (basta olhar algumas danças portuguesas já citadas).

Observe-se que as danças de salão da nobreza em Portugal como em toda a Europa tinham, essas sim, muita influência francesa e num certo período (século XVIII) era também considerado  chique os nobres usarem palavras francesas na suas conversas e, por maioria de razão, nos bailes.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Maria Almira - Um grande Sol cada manhã iluminada de Sintra


Maria Almira Medina, 29 de agosto de 1920 - 19 de janeiro de 2016

Mais do que a boa amiga que me acompanhou nas lutas, sobretudo dessa fase importante para os que amam a liberdade - o 25 de Abril de 1974 - é a perda duma mulher e cidadã de rara sensibilidade e raro sentido estético, multifacetado nas diversas expressões do sentido artístico, desde a pintura e escultura à poesia, mas sobretudo uma pessoa de absoluta generosidade e transparência, sempre pronta a doar-se sem calcular o retorno.




Agora como na lua
à força de não ter prato
lua - terrina do mundo
cheia de caldo barato

Servem a sopa dos pobres
anjos de barba e bigode
de ventre proeminente
cada um come o que pode

Mas a lua não tem fundo
tem entranhas generosas
transforma a fome em fartura
dá-nos pão em vez de rosas

Os pobres que vão da terra
levam a barriga oca
a solidão dos demais
e a comida foi pouca

Agora comem de tudo
são heróis recém-chegados
lua - terrina do mundo
sopa dos esfomeados.

Maria Almira Medina, 1963 - Um Tempo de Cata-Sol



Epitáfio - 1

Há-de chegar o tempo de soltar
as asas dos silêncios desmedidos
nos espaços redondos imprecisos
dos irrespiráveis cansaços de jograr
Em utópicas memórias desse rosto
da névoa universal que o enleou
o jogral já jogrou
nómadas
as palavras que a serra lhe ensinou
dessedentam as vivências que cismou.


Epitáfio - 2

Anjos e querubins percorrem S. Marçal
soltando flores silvestres, cânticos e ais.
O jogral já jogrou:
requer a gaveta que lhe resta
entre a lua do Lourel - queijo saloio
e os gavetões dos pais.

Maria Almira Medina, 28 de Março de 1998 - Um Tempo de Cata-Sol

(Em breve, mais coisas da grande MARIA ALMIRA. Até sempre, amiga !)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

IRACEMA DOS SANTOS - 3 Agosto 1925 / 30 Dezembro 2015

Que descanses agora em paz, MÃE, sem medo nem ilusões.
Até já, até um dia novo, até sempre.

Consoada 2015, após a alta  hospitalar - em  minha casa




27 Maio 2015, após tirá-la do "lar" de idosos - em minha casa



terça-feira, 13 de outubro de 2015

LOJAS CENTENÁRIAS DA BAIXA LISBOETA

Há uns bons tempos que nada publicava neste blogue.

Achei um bom motivo para quebrar o silêncio, neste belo conjunto de fotos de lojas centenárias da baixa de Lisboa.

Baixa de Lisboa, que é ela mesma um monumento no seu todo: um dos maiores, senão o maior conjunto arquitetónico neoclássico do mundo, uma espécie de pequena cidade toda construída em neoclássico do séc. XVIII já que, a seguir ao terramoto de 1755 que destruiu a cidade, o 1º ministro Carvalho e Melo, Marquês de Pombal, decidiu usar um estilo de reconstrução da cidade que fosse prático, elegante e económico. Daí as ruas e edifícios completamente retilíneos e geométricos.

Clique a seguir. Ao abrir, escolha   Apresentação / Desde início ou Present / From beginning



Baixa Pombalina de Lisboa

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

ONDAS ELETROMAGNÉTICAS E SAÚDE HUMANA




Desde há alguns anos que novas formas de poluição vêm surgindo. Sobre elas, a maioria das pessoas está desinformada e portanto indefesa.

Manifestação em Estugarda, Alemanha, contra a poluição eletromagnética.
Até porque as empresas que estão na sua origem dispõem dum grande poder, fazendo uma sistemática desinformação que perturba a divulgação de dados  objectivos e rigorosos na matéria.

Em relação às novas tecnologias sem fios, como os telemóveis, as redes 3G / 4G, Wifi e várias outras, as operadoras e os fabricantes tratam de antecipar "pesquisas" que concluem sempre pela "não comprovação dos efeitos negativos na saúde" e pela recomendação de que "as investigações devem  prosseguir".

Mas estudos científicos independentes e associações de cidadãos, sobretudo na Europa, já comprovaram os sérios efeitos sobre a saúde humana.

Na Suécia, primeiro país onde há várias décadas atrás surgiram os alertas, já foram implementadas algumas zonas livres do "electro smog", tal como em muitos países há zonas livres de fumo ou de energia nuclear.

O autor do blogue Electrosensibilidade, o biólogo português Paulo Vale, por ser ele mesmo um eletrosensível, ou seja, ter uma vulnerabilidade acima da média a esse tipo de poluição, vem-se dedicando à sua pesquisa e combate.

Cito-o:

«(...) a medicina convencional, ainda vê essencialmente o corpo humano como uma máquina formada por peças (orgãos) que por sua vez são feitas de peças mais pequenas (células, e no nível seguinte as moléculas). 

É a mecânica newtoniana. A mecânica quântica einsteiniana ainda não foi assimilada em muitos campos da ciência.
Felizmente a medicina alternativa/complementar vê a vida como um fenómeno vibracional, feito de ondas. Um dos livros clássicos de introdução a esta área é Medicina Vibracional, pelo Dr. Richard Gerber. 
O equilíbrio do desenvolvimento e manutenção do nosso corpo depende do bom funcionamento do nosso delicado electromagnetismo interno e da sua interacção com os campos externos como o campo geomagnético da Terra».

Paulo Vale diz que estamos cada vez mais rodeados, da casa ao shopping, do transporte ao local de trabalho e à escola, por aparelhos e redes que emitem as mais diversas formas de poluição elétrica e não só.


As lâmpadas fluorescentes de longa duração, ditas  ecológicas: na realidade gasta-se mais energia a produzi-las e são dificilmente recicláveis. Caso se estilhacem, fique longe do pó e do mercúrio que elas largam, e use luvas ao recolher os pedaços.

Um dos aspetos mais preocupantes são as torres retransmissoras do sinal dos telemóveis / celulares, sobretudo porque as cidades estão plantadas delas por todo o lado, e mesmo que você escolha morar longe delas, qualquer operadora pode decidir a todo o momento escolher o prédio defronte para implantar uma.

Há estudos que provam que a distância mínima recomendável para estas antenas não serem prejudiciais é em torno de 600 metros, mas isso é relativo, já que a operadora pode decidir intensificar o sinal se surgirem novas necessidades comerciais e técnicas, e qualquer antena suplementar intensifica o sinal.

Paulo Vale recomenda vários meios de defesa, que ele mesmo experimentou:

- Cortinas chapeadas a metal, como folha de aço ou aluminio, tapando as janelas mais expostas a antenas
- Pintar as paredes da casa a tinta protetora como grafite
- Usar redes tipo mosquiteiro eletromagnético
- Distribuir pela casa  dispositivos atenuadores das microondas como os Star tri pak.

Tais dispositivos podem ser adquiridos pela internet, conferir aqui: http://www.emfblues.com/; http://www.bioelectricshield.com/; http://www.golden-ray.com/

Outro alerta que deve ser feito é para os fornos microondas - têm um efeito milhões de vezes superior às microondas dum telemóvel/celular pelo que todo o cuidado é pouco. 

Não recomendo o uso. Eles sobreaquecem apenas o líquido dos alimentos, e há provas da "memória da água", obtidas  pelo japonês Masaro Emoto, mostrando que a água guarda as mínimas alterações a que é submetida, até a energia da voz humana pode afetá-la. Mas se insiste em usar forno microondas, mantenha-se longe dele quando em uso.

Outra recomendação de Paulo Vale, principalmente para quem é eletrosensível, manter-se longe de qualquer aparelho que emita ondas eletromagnéticas, emissor de Wifi, pen 3 ou 4G,  telemóvel e smartphone, fogão elétrico, radiodespertador, alarmes, etc. Mesmo o computador portátil, é  habitual colocá-lo ao colo o que é nocivo para os órgãos reprodutores pelo aquecimento e ondas recebidos. Internet e telefone com fio são largamente preferíveis aos sem fio, do ponto de vista da saúde.  

Para leitura integral do blogue de Paulo Vale, que recomendo a par de outras leituras
http://electrosensibilidade.blogspot.com.br/p/2.html


terça-feira, 7 de outubro de 2014

PROGRAMAS SECRETOS PARA NOVOS TIPOS DE ARMAS

Vários países têm programas secretos para novos tipos de armas




Confira aqui o artigo principal de suporte (em Inglês).

E confira aqui o programa HAARP, do exército americano (em Português Br).

Há bastantes indícios de programas em execução por parte de várias potências com vista a novos tipos de armas, algumas delas conhecidas como Chemtrails, para provocar alterações climáticas, terramotos, tempestades, explosões, e até condicionamento mental e doenças físicas ou psicológicas.

É oficial que os EUA  há décadas que estão montando o designado escudo anti-mísseis a pretexto da ameaça russa.

Curiosamente, os ativistas que mais denunciam essas armas são cidadãos norte-americanos que colhem dados , fazem fotos e publicam na Internet artigos como este  aqui.

Mesmo que haja uma certa fantasia em algumas dessas denúncias, seria imprevidência não ficar atento a esta nova realidade.

De entre as armas citadas, temos:

- Aspersão de partículas de bário e zinco que ionizadas pelo sol produzem um plasma de zinco que, uma vez bombardeado por raios laser ou ondas eletromagnéticas, podem causar tempestades ou alterações no  clima

- Feixes de micro-ondas que causam graves danos à saúde

- Alteração do campo magnético e ondas eletromagnéticas que provocam perturbações mentais e doenças.

Estas armas tanto podem estar baseadas em instalações no solo, como em  satélites ou em aviões.

Os seus efeitos tanto podem vir pela atmosfera, como através de drones teleguiados ou mesmo através dos nossos aparelhos portáteis, telemóveis/celulares ou pelas redes de comunicações, com ou sem fios. (1)


Previna-se: se sentir dores internas, tonturas, zumbido, ruídos como os dum rádio, ou um mal-estar que não seja explicável por alguma doença natural de que sofra, tente defender-se o mais possível. Você pode estar a ser cobaia indiferenciada duma experiência, ou então ser um  alvo específico, caso seja um ativista que incomoda os grandes  interesses.

- Baseado num artigo de  Carolyn Williams Palit
 Rense.com

(1) Para perceber que tudo isto não é fantasia, preste atenção às suas sensações, e verifique como uma simples rede Wifi (internet sem fios) ou uma pen G3, e ainda mais uma G4, causam dor-de-cabeça e cansaço, sobretudo  se ficar próximo e muito tempo exposto a essas fontes de micro-ondas.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Lou Reed - obrigatório ouvir


  1. Em baixo, a letra, conforme o CD original "New York", 1989. Depois, a minha tradução, como sempre feita com liberdade poética. No caso, fácil até, dado Lou ser muito prosaico, investindo sobretudo na ácida sironia social e dos costumes. 

We who have so much to you who have so little to you who don't have anyhing at all * We who have so much more than any one man does need and you who don't have anything at all * Does anybody need another million dollar movie * Does anybody need another million dollar star * Does anybody need to be told over and over * Spitting in the wind comes back at you twice as hard * Strawman going straight to the devil * Strawman going straight to hell * Does anyone really need a million dollar rocket * Does anyone need a 60.000 dollar car * Does anyone need another President or the sins of Swaggart parts 6. 7. and 9. [link] * Does anyone need another politician caught with his pants down and money sticking in his hole * Does anybody need another racist preacher spittin ' in the wind can only do you harm * Strawman going straight to the devil * Strawman going straight to hell * Does anyone need another faulty shuttle blasting off to the Moon, Venus or Mars * Does anyone need another self-righteous rock and roll singer whose nose he says has led him straight to God * Does anyone need yet another blank skyscraper * If you 're like me I'm sure a minor miracle will do * A flaming sword or maybe a gold ark floating up the Hudson * When you spit in the wind it comes right back in two


HOMEM-FRAUDE

Nós que temos tanto, para ti que tens tão pouco, para ti que não tens absolutamente nada * Nós que temos muito mais do que qualquer homem precisa, e vocês que não têm absolutamente nada * Alguém precisa doutro filme de um milhão de dólares * Alguém precisa doutra pop-star de milhões de dólares * Alguém precisa que lhe digam repetidamente Cospes contra o vento e é-te devolvido mais forte e a dobrar * Homem-fraude vais direto pró diabo * Homem-fraude vais direito ao inferno * Será que alguém precisa realmente dum foguetão de milhões de dólares * Alguém precisa dum carro de 60.000 dólares * Alguém precisa doutro presidente ou dos pecados de Swaggart partes 6. 7. e 9. [link explicativo] * Alguém precisa doutro político apanhado com as calças em baixo e dinheiro escondido no buraco * Será que alguém precisa doutro pregador racista a cuspir ao vento, isso só pode fazer-te mal * Homem-fraude vais direto pró diabo * Homem-fraude vais direito ao inferno * Alguém precisa doutro foguetão defeituoso enviado à Lua, Vênus ou Marte * Alguém precisa doutro cantor evangélico de rock & roll que diz que o seu nariz o liga diretamente a Deus * Alguém precisa de mais um arranha-céus tipo caixote * Se tu és como eu, tenho a certeza que podemos fazer um pequeno milagre * Uma espada em chamas ou talvez uma arca de ouro flutuando no rio Hudson * Quando cospes contra o  vento ele devolve-to a dobrar.


domingo, 6 de julho de 2014

Revisitando o eterno BREL

Um intérprete de Leonard Cohen classificava Jacques Brel como um homem único e manifestava a certeza de que ele inspirou (também) o grande autor canadiano.

Brel é daqueles casos raros que surgem uma vez em várias décadas. Apesar da vastidão do universo musical  em que se insere, Brel sequer será comparável aos  outros criadores francófonos da sua época - salvo talvez uma Edit Piaf, da geração colada à sua.

Le Plat Pays - uma das suas grandes canções -  é uma oração à terra onde nasceu e que nunca lhe devolveu (em vida) uma fração do que Brel lhe deu sem precisar de o declarar.

Nascido numa família católica da metade neerlandesa da Bélgica, Jacques identificava-se com a francofonia, divergindo nisso também da sua família que o queria envolvido nos negócios do clã.

Casado e pai de três filhas, foi sobretudo fiel ao seu obcessivo amor pela vida e pela emoção sincera posta em tudo o que fazia.

Escolhendo Paris para início duma carreira multifacetada, sobrevive no início  dando aulas de violão até que ao fim de anos é convidado para um espetáculo secundário no mítico Olimpia.

Ganha rapidamente o reconhecimento internacional, é interpretado por grandes figuras do music hall como David Bowie, que gravam Amsterdam, Quand On N' a Que l' Amour e outras suas músicas. Vende milhões de discos.

Fez muito teatro musical e cinema, mas o seu brilho está na voz, e nessa combinação perfeita de música, poesia e performance em palco, onde se lhe sente em cada palavra a entrega total à emoção à flor da pele.

Já doente de cancro no pulmão, pilota o seu pequeno avião numa longa viagem até às ilhas Marquesas, onde se refugia por repulsa ao comércio que tomara a vida artística europeia, encontrando ainda forças para ajudar a população indígena das Marquesas no transporte aéreo.

Volta apenas à Europa para tratamentos. Morre em 1978 num hospital de Bobigny, França. Está sepultado nas Marquesas, perto de Paul Gauguin. 

Mais informações biográficas AQUI


SUGESTÃO: Ponha o vídeo a seguir em écrã máximo para observar bem a expressão do artista. 
Após ouvir o Plat Pays, não deixe de ouvir Ne Me Quitte Pas / Não me abandones, de que Brel é também autor - uma das canções mais dilacerantes jamais escrita, reinterpretada  por dezenas de artistas em todo o mundo e que até hoje continua a sensibilizar milhões de pessoas. Uma canção que, surpreendentemente, Brel disse não ser sobre o amor, mas "sobre a cobardia humana".


LE PLAT PAYS - O PAÍS RASO
Letra

Português / Francês

Com o Mar do Norte por último terreno vago 
Avec la mer du Nord pour dernier terrain vague
E as vagas de dunas para conter as vagas 
Et des vagues de dunes pour arrêter les vagues
E esquivos rochedos que as marés recobrem 
Et de vagues rochers que les marées dépassent
Não deixando jamais o coração a descoberto  
Et qui ont à jamais le cœur à marée basse
Com essa infinidade de brumas a vir 
Avec infiniment de brumes à venir 
Com o vento oeste, escutai-o a possuir 
Avec le vent d´ouest écoutez-le tenir
O país raso que é o meu / Le plat pays qui est le mien.
 

Com suas catedrais por únicas montanhas
Avec des cathédrales pour uniques montagnes 
E os negros campanários / Et de noirs clochers
Como mastros tamanhos  / Comme mâts de cocagne 
Onde diabos de pedra desfiam as nuvens 
Où des diables en pierre décrochent les nuages 
Com o fio dos dias por única viagem
Avec le fil des jours pour unique voyage 
E caminhos de chuva por único Boa Noite
Et des chemins de pluie pour unique bonsoir
Com o vento oeste escutai-o a querer / Avec le vent d´ouest écoutez-le vouloir 
O país raso que é o meu / Le plat pays qui est le mien.
 

Com um céu tão baixo que um canal se perdeu
Avec un ciel si bas qu´un canal s´est perdu
Com um céu tão baixo que é preciso humildade 
Avec un ciel si bas qu´il fait l´humilité  
Com um céu tão escuro que um canal se enforcou 
Avec un ciel si gris qu'un canal s' est pendu
Com um céu tão escuro que é preciso piedade
Avec un ciel si gris qu´il faut lui pardonner
Com o vento norte que vem para rasgar 
Avec le vent du nord qui vient s´écarteler 
Com o vento norte escutai-o a fraturar 
Avec le vent du nord écoutez-le craquer
O país raso que é o meu / Le plat pays qui est le mien
 

Com essa Itália que descerá o Escalda 
Avec de l´Italie qui descendrait l´Escaut
Com Frida-a-loira quando ela se torna Margot 
Avec Frida la Blonde quand elle devient Margot 
Quando os filhos de novembro / Quand les fils de novembre
Nos revisitam em maio  / Nous reviennent en mai
Quando a planície fumegante / Quand la plaine est fumante
Treme sob julho / Et tremble sous juillet
 

Quando o vento abre ao riso / Quand le vent est au rire, 
Quando o vento abre ao trigo / Quand le vent est au blé
Quando o vento abre ao sul / Quand le vent est au sud
Escutai-o cantarÉcoutez-le chanter
O país raso que é o meu / Le plat pays qui est le mien.




quinta-feira, 26 de junho de 2014

Ainda sobre futebol, para variar....

Apesar do pouco saudável clima de fanatismo "nacionalista" que rodeia sempre estes eventos - e na América Latina, então, nem imaginam - ou mesmo por causa disso, não resisto a mais um comentariozinho, que prevejo seja o último.

Hoje, a Sport TV, principal canal desportivo do Brasil, a propósito do grupo de que Portugal faz parte, reportava que os selecionadores da Alemanha e dos EUA, ambos alemães, são amigos pessoais de longa data, até porque o segundo foi o assistente técnico do primeiro na seleção alemã.

Mais dizia este canal que Jurgen Klinsman (selecionador dos EUA) fez questão, logo que entrou em funções,  de reforçar a seleção norte-americana com 5 jogadores alemães da sua confiança pessoal.

"Teremos então amanhã um jogo de compadres" - concluia ironicamente o canal brasileiro.

Curioso e revelador que os media portugueses - salvo melhor informação, pois não posso segui-los neste momento - não frisassem este importante dado.

Parecem mais preocupados em "fazer a folha" e "incinerar" o selecionador Paulo Bento e a própria seleção representativa do seu  país na Copa, enquanto continuam a glorificar a imagem do CR7, talvez porque há contratos comerciais envolvendo também os media - caso da publicidade com ele.

Vai uma apostinha que o resultado do EUA-Alemanha vai ser o mais conveniente para ambos passarem?

O que não é difícil. Portugal teria que golear  o Ghana por 5-0 e esperar que a Alemanha vencesse os EUA por 1-0, ou outro resultado com a mesma soma cruzada de golos. Mesmo que Portugal goleie, se a Alemanha empatar com os EUA, ambos são apurados e Portugal fica de fora.

Somado isto ao facto do árbitro tudo ter feito no primeiro jogo, Portugal-Alemanha, para abater Portugal logo de início, começamos a entender o puzzle.

É o mundial pefeito estilo FIFA onde quem tem dinheiro tem as alavancas. E será assim cada vez mais, não nos iludamos...

Nota (a posteriori): Completamente confirmada a análise acima.  O jogo EUA-Alemanha foi morno, quase não houve remates na 1ª parte, e só na segunda, quando o Gana empatava o jogo com Portugal, a Alemanha acelerou e se permitiu marcar um golo aos EUA, sabendo perfeitamente que isso não prejudicava o "amigo americano". Vergonhoso.

domingo, 22 de junho de 2014

Falemos então de futebol...

  
Seleção portuguesa de futebol, 2014
Por muito que o futebol já não seja um desporto, mas antes um espetáculo televisivo e um negócio que movimenta biliões, onde a corrupção campeia (nas arbitragens, nos offshores para fuga aos impostos, no tráfico sobre os vários agentes), a verdade é que é difícil ficar-lhe indiferente.

Principalmente porque milhões de pessoas, países inteiros, vivem o futebol como se dele dependesse este mundo e o outro. E porque é um jogo visualmente atrativo, mesmo com as manipulações notórias nas arbitragens e na trapaça do sorteio dos grupos para este Mundial.

Mas falemos das seleções. Será que representam efetivamente os países, como faz supor o fanatismo dos adeptos e o fervor com que acompanham o hino como se daqueles 11 homens em calções ganhando "uma grana preta" dependesse o futuro da nação?

Mesmo que saibamos que não, a imagem do país, para o bem e para o mal, é atingida, pelo menos para os biliões de seguidores do futebol no mundo.

É evidente que este tipo de eventos serve fins dentro do sistema.

As opiniões públicas são manipuladas e arrastadas para o fanatismo do futebol e o esquecimento do resto. As grandes marcas fazem campanhas gigantescas explorando ao máximo o evento. Desde Nikes, Adidas, Coca-Colas, MacDonalds, marcas nacionais, até ao mais ínfimo bar ou restaurante, não há quem não use a "copa" para se potencializar.


Este Mundial tem-se caracterizado por aspectos já comuns aos anteriores e por outros mais específicos. Um destes é o paradoxo da forte contestação popular à organização da Copa coexistindo com o fervor pela seleção, que no Brasil assume contornos de verdadeira religião.

ANÁLISE DA PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA

Esta participação  acaba por refletir o estado em que o País se encontra. Embora não se possa fazer um paralelismo direto entre futebol e sociedade, alguns aspectos são óbvios.

Num país que estava há pouco em  4º lugar no ranking das seleções (e perto disso no dos clubes), a seleção é apenas um grupo desconexo de personalidades, clubismos e egos inflados de jogadores e dirigentes que põem interesses pessoais ou de grupos acima dum suposto interesse nacional.

Viu-se no jogo contra os EUA. Perante uma equipa americana de 2ª categoria no futebol mundial, se Portugal jogasse com crença e foco no coletivo teria goleado facilmente. Mas após marcar o 1º golo, o grupo recua e passa a defender o resultado - ao contrário de seleções menores como o Gana que se batem sempre de peito aberto, mesmo contra uma Alemanha - Paulo Bento pôs a equipa a jogar para um CR7 fora de forma e acabou por conseguir apenas o empate.

Alguns detalhes:

Paulo Bento - Treinador sério mas longe de ser inovador, parece subordinado aos "egos" da equipa, em particular CR7 e o núcleo duro tradicional, não foi capaz da necessária renovação para formar um grupo que representasse o melhor futebol luso.

Cristiano Ronaldo - Fora de forma após as lesões, ainda convencido de que tudo gira à sua volta, afirmou preto no branco "eu estou primeiro e a seleção depois"  - o que, mesmo estando a referir-se à sua integridade física, é algo que não se diz em público e sobretudo daquela forma. Salvo no último golo, CR7 não teve papel relevante no jogo e perdeu muitas  bolas divididas.

Nani - Outro jogador fora de forma após longo tempo sem jogar, e outro ego inchado - falhou passes clamorosos, é verdade que marcou mas também perdeu bolas decisivas.

Beto - Voluntarioso, mostra a típica mentalidade FCP de que se pode passar por cima de tudo desde que "venha a nós". Por acaso não comprometeu, mas teve uma saída em falso que só por milagre de Ricardo Costa (aliás, também ex-FCP) não foi golo.

Raúl Meireles - Outro jogador da escola portista, que se tornou meio hippie após a passagem por Inglaterra, ostenta um visual ridículo, próprio dum ego inflado e desconexo, de quem perdeu objectivos. Jogar neste nível implica uma atitude de combate que se exprime no geral, mas também no visual.

Pepe - Além da muito discutível utilização de estrangeiros naturalizados desvirtuar o carácter duma seleção, Pepe nem estava em forma e o seu currrículo conflituoso foi habilmente usado por quem quis prejudicar a equipa, expulsando-o injustamente contra a Alemanha.

De referir finalmente que o uso de jogadores medianos como Postiga, João Pereira, André Almeida, Éder, Miguel Veloso, Bruno Alves, Hugo Almeida, em detrimento dum William Carvalho, dum Rúben Amorim ou dum Quaresma, reflete o conformismo e a falta de visão que hoje caracteriza algumas mentes portuguesax.

Mas reconheça-se que o trabalho do selecionador é dificultado por os grandes clubes não priorizarem o que é nacional, bloqueando o despontar de novos bons jogadores para a seleção.

Assim, é provável que Portugal saia sem glória deste Mundial.

E nem se pode queixar muito da arbitragem, pois se no primeiro jogo o juíz foi ostensivamente pró-Alemanha, o mesmo não ocorreu contra os EUA em que a culpa recai exclusivamente no grupo português.



quinta-feira, 5 de junho de 2014

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Revisitando Pipa

Uma passagem por Pipa - Rio Grande do Norte -  em dois breves dias, alguns anos depois.

A paisagem continua idílica, esfusiante do verde tropical. O mar continua calmo, límpido e habitado presumivelmente por golfinhos que se avistam se houver sorte.

Mas o sítio, que cultiva vagamente aquela imagem hippie (um tanto deslocada nestes  tempos materialistas), parece meio abandonado.

"Época baixa" - justifica secamente a única e mal preparada empregada (nitidamente de ascendência potiguara, tribo original da região) do resort  belissimo, mas um tanto decadente.

A resposta não foi convincente.

Baía dos golfinhos, Pipa ao fundo,
disfarçada no meio da vegetação.
Plano grande: vista geral de Pipa, indo para Tibaú do Sul,
sede do município;
Planos menores: 1- Resort Costa Sol;
2 - T-shirts alusivas a Pipa;
3 - Letreiro típico em lojinha;
4 - Rua lateral de comércio, semideserta;
5 - À saída da escola pública
"Eu, encantada com Pipa? Nem pensar! Isso é para quem passa cá sómente uns dias" - declarava em contraste a lisboeta educada nos salesianos do Estoril e em Paris que "aterrou" ali para trabalhar no restaurante (às moscas) da mãe, trocado por outro no Algarve, demasiado movimentado para gerir sózinha após a morte do marido.

Neste, de Pipa, comia-se há uns anos atrás uma bela paella quando o dono era um espanhol que, pelos vistos, foi esperto e o empandeirou a tempo...

A lisboeta descobriu como num pesadelo que, num raio de quase 100 km até Natal, não há uma escola de qualidade, nem médicos especialistas para o filho diabético, nem outros serviços básicos ou acessibilidades rápidas em caso de urgência.

A verdade passa mais por esta versão, apesar da moça precisar ainda dumas lições de vida em latitudes não europeias.

Mas Pipa é de facto um caso típico de falta de aposta a sério do Estado e dessa crença, caracteristica do "Novo Mundo", de que basta deixar tudo ao sabor da natureza e da "inicativa privada".

Até chegar à BR (via rápida), que percorre o estado, são 30 km meio esburacados, mal sinalizados e às curvas. Estrada directa de Pipa para Natal (capital do RN) até existe. Mas já a fiz e... esqueçam.

Pipa - como muitas outras praias brasileiras - podia competir com paraísos tropicais como os Hawais, as Rep Dominicanas, os Balis ou as Seychelles. Bastava investimento a sério do Estado em parceria com grupos especializados do turismo.

Assim é que não me parece. Preços altos nos restaurantes, serviço fraco, gente local mais "folgada" que preparada. Por mim, que vinha fazendo a maior propaganda do idílico sítio, das suas caipirinhas, das dezenas de lojinhas e pousadas imaginativas, do ambiente relaxado e feliz, depois desta nova experiência, confesso que vou esquecer o local por uns bons tempos. Até que autoridades ou particulares façam uma mudança estrutural.

Não é nada de pessoal, garanto, até porque o meu propósito era relaxar do atual superstress português neste regresso ao Brasil, o que  foi plenamente atingido. Trata-se apenas dum olhar objetivo.

E afinal, há muitas outras Pipas por descobrir neste Brasilzão.


quarta-feira, 12 de março de 2014

NEBRASKA - o filme



Ficha técnica
Trailer

Género: Drama com humor
Realizador: Alexander Payne
País: EUA
Ano: 2013
Classificação: ***** Muito bom

Um retrato intensamente sonoro e visual duma América que não se vê nos filmes de Hollywood e nas notícias dos grandes media corporativos, que nos impingem todas as horas do dia, ano após ano das nossas vidas, essa América artificial de Hollywood.

Uma América de pessoas reais - não elegantes nem puritanas, nem sexys nem cheias de proclamações morais -  uma América de pessoas feias, gordas ou escanzeladas, com barba por fazer, mesquinhas nos sentimentos. As pessoas duma classe média-baixa que levou de chofre com a crise do sistema capitalista onde vive, e que reage às cegas, como pode.

Mas este não é um filme político. É um filme sobre pessoas, sobre o isolamento psicológico, a velhice, a incomunicabilidade e os seus dramas, sobre as relações entre filhos e pais,  e as feridas e a dor e o aturdimento que deixam ao longo de toda uma vida por efeito acumulado.

Subtilmente, só perceptível para quem consegue ver, o realizador vai desmontando um por um os mitos norte-americanos da família feliz, da burla do sucesso económico  (ideia central do filme, a meu ver), do cinismo que há na religiosidade puritana, assim como da elegância e da sociedade tolerante e generosa - tudo mitos que saem completamente esfrangalhados.

À boa maneira americana, não deixa de haver um happy-ending.  Que não chega a ser concessão, pela forma inteligente como Payne remata o filme, descobrindo generosidade nos dois protagonistas - pai e filho - em meio ao deserto de rudeza que pontua quase todos os personagens na narrativa.

Uma nota final para a impressionante fotografia marcada pela nudez da pradaria nevada do Midwest, em que o contraponto da banda sonora limpa, não menos crua e sóbria, é dum rigor total.

Para mais crítica a filmes: separador 8 - Cinema

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Combinar bem os alimentos

Não basta escolher bem os nossos alimentos.
Essa é a primeira regra duma boa alimentação  - escolher alimentos não transgénicos, orgânicos/biológicos, sem químicos, não processados e em estado natural (evitar conservas, salsichas, etc.).
Mas não chega.

Além da qualidade intrínseca dos alimentos, há também a qualidade da sua combinação.

Eis algumas combinações recomendáveis, assim como as que são de evitar.

1. Coma as frutas antes do resto

A razão é simples: as frutas são digeridas mais rapidamente e passado pouco tempo já estão de saída para os intestinos, libertando o estómago para outros alimentos. Se forem misturadas com gorduras, demoram mais a digerir.

2. Proteínas e amidos não combinam

Por exemplo: ovos, carne, peixe, leite, leguminosas, não combinam bem na digestão com batatas, pão, arroz e cereais em geral.

Isso, porque as proteínas necessitam duma base ácida para serem digeridas, enquanto os amidos requerem uma base alcalina. Ao serem consumidos em conjunto, a digestão é prolongada.

Esta combinação errada provoca más digestões, inchaço e fezes mal-cheirosas.

3. Melancia come-se sozinha

Melancia é uma fruta que não combina com vários alimentos, e nalguns casos (vinho) fazem-na mesmo endurecer no estómago. Por isso mastigue-a bem e coma-a de estómago vazio, esperando 2 horas antes de comer de novo. Com o melão, embora em menor grau, idênticas precauções.

4. Verduras e legumes em abundância

As folhas verdes e os legumes são combináveis com quase todo o tipo de alimentos e são ricos em fibras, minerais como ferro, sódio, cálcio, magnésio, zinco, e ainda vitaminas...
Uma boa salada é recomendável em qualquer refeição.

5. Gorduras e óleos


As gorduras e óleos combinam bem com quase todos os alimentos (excepto frutas!), mas devem ser consumidos raramente, de preferência não fritas e em quantidades muito limitadas. 
Não reutilize NUNCA óleos usados em frituras anteriores, entupem as suas artérias e são cancerígenos.
Use de preferência azeite (de oliveira) virgem, biológico, de baixo grau de acidez (abaixo de 0,5%), porque é a gordura industrial mais saudável. Mas mesmo esse use-o poucas vezes, não vá na conversa publicitária da indústria!
Evite as gorduras de origem animal e, nas de origem vegetal, não use as feitas com milho, soja ou canola transgénicos.

6. Tempos entre refeições

- Espere 2 horas depois de comer frutas 
- 3 horas depois de comer amidos
- 4 horas depois de comer proteínas.

Esse é o tempo médio necessário à respetiva digestão.


Artigo baseado em:
http://www.trueactivist.com/6-food-combining-rules-for-optimal-digestion/
que cita o dr. Jonn Matsen ("Eating alive")